O tratamento da MAV é um dos campos mais complexos da neurocirurgia vascular. Não existe uma abordagem única — a decisão depende do tamanho, localização, padrão de drenagem, histórico de sangramento e condição clínica do paciente. O Dr. Sérgio Tadeu domina as três modalidades de tratamento e define, para cada caso, a estratégia mais segura e eficaz.
Cirurgia de Ressecção – A Cura em Uma Única Intervenção
A ressecção cirúrgica da MAV é o único tratamento que oferece cura imediata e definitiva: o nidus é removido por completo, eliminando o risco de sangramento de forma permanente.
O procedimento é realizado por craniotomia — abertura do crânio na região onde a MAV está localizada. O neurocirurgião disseca cuidadosamente os vasos que alimentam a malformação, interrompe o fluxo sanguíneo para o nidus e o remove em bloco.
É indicada principalmente para:
- MAVs de pequeno a médio porte em localização acessível
- MAVs que já sangraram, com hematoma associado que também precisa ser evacuado
- Pacientes jovens, onde a cura definitiva tem maior peso ao longo do tempo
A ressecção completa confirmada por angiografia no pós-operatório significa que o risco de novo sangramento cai para zero.
Embolização Endovascular – Preparação e Complemento
A embolização é um procedimento minimamente invasivo realizado por cateterismo: um microcateter é guiado pelos vasos sanguíneos até as artérias que alimentam a MAV, onde são injetados materiais oclusivos — cola biológica ou partículas — que bloqueiam o fluxo para o nidus.
Raramente é usada como tratamento único. Sua função principal é reduzir o fluxo sanguíneo na MAV antes da cirurgia ou da radioterapia, tornando o procedimento seguinte mais seguro e eficaz. Em MAVs muito grandes, a embolização pode ser feita em etapas para reduzir o risco de complicações.
Radiocirurgia Estereotáxica – Precisão Sem Abertura do Crânio
A radiocirurgia — com técnicas como Gamma Knife ou CyberKnife — foca feixes de radiação com altíssima precisão no nidus da MAV, induzindo uma reação nos vasos que leva à sua obliteração progressiva ao longo do tempo.
É indicada principalmente para:
- MAVs de pequeno porte em localização profunda ou eloquente, onde a cirurgia aberta ofereceria risco elevado
- Pacientes que não são candidatos à cirurgia por condição clínica
A principal limitação é o tempo: o efeito não é imediato. A obliteração completa pode levar de dois a três anos — período em que o risco de sangramento permanece. Por isso, a radiocirurgia não é a escolha ideal para MAVs que já sangraram ou de alto risco.
Tratamento Combinado
Em MAVs de grande porte ou localização complexa, a combinação de embolização + cirurgia ou embolização + radiocirurgia oferece os melhores resultados. O planejamento multimodal é uma das marcas do tratamento de excelência em neurocirurgia vascular.