Glioma e Glioblastoma: O Que É, Como Identificar e Por Que o Tratamento Precoce Muda Tudo

Sumário

Receber o diagnóstico de glioma — e especialmente de glioblastoma — é um dos momentos mais difíceis que um paciente e sua família podem enfrentar. O medo é compreensível. Mas o que acontece nas semanas seguintes ao diagnóstico pode fazer uma diferença real no prognóstico. E essa diferença começa com a escolha certa de quem vai conduzir o tratamento.

Se você ou alguém próximo está passando por isso agora, este artigo foi escrito para você. Não para minimizar a gravidade — mas para dar clareza sobre o que é, o que esperar e o que pode ser feito.

O Que É um Glioma?

O cérebro é composto por dois tipos principais de células: os neurônios, responsáveis pela transmissão de sinais, e as células gliais, que sustentam, protegem e nutrem os neurônios. O glioma é um tumor que se origina justamente nessas células gliais.

É o tipo mais comum de tumor cerebral primário em adultos — ou seja, tumor que nasce no próprio cérebro, e não de metástase de outro órgão.

Os gliomas são classificados pela OMS em quatro graus, de acordo com o comportamento biológico do tumor:

  • Grau I: crescimento muito lento, bordas bem definidas, geralmente curável com cirurgia. Raro em adultos
  • Grau II (glioma difuso de baixo grau): crescimento lento, mas infiltrativo — invade o tecido cerebral ao redor sem uma borda clara. Tende a progredir para graus mais altos com o tempo
  • Grau III (glioma anaplásico): comportamento mais agressivo, crescimento mais rápido, exige tratamento combinado
  • Grau IV — Glioblastoma (GBM): o mais agressivo de todos. Crescimento rápido, altamente infiltrativo, com tendência à recorrência mesmo após tratamento

 

O Glioblastoma

O glioblastoma multiforme — GBM — merece atenção especial por ser o tumor cerebral primário maligno mais comum e mais desafiador. Representa cerca de 50% de todos os gliomas em adultos. Seu comportamento agressivo se deve à combinação de crescimento rápido, capacidade de infiltrar profundamente o tecido cerebral e alta resistência a tratamentos.

Isso não significa que não há o que fazer. Significa que o tratamento precisa começar rápido, com uma equipe experiente e um plano cirúrgico bem executado.

Quem Tem Mais Risco de Desenvolver um Glioma?

Ao contrário de outros tumores, os gliomas não têm fatores de risco ambientais claramente estabelecidos. Não existe relação comprovada com o uso de celular, alimentação ou estilo de vida. O que se sabe:

  • Idade — gliomas de alto grau são mais comuns entre 45 e 70 anos; gliomas de baixo grau afetam mais adultos jovens entre 20 e 40 anos
  • Sexo masculino — glioblastoma é ligeiramente mais frequente em homens
  • Exposição prévia à radiação craniana — radioterapia recebida na infância ou em tratamentos anteriores aumenta o risco
  • Síndromes genéticas raras — como neurofibromatose tipo 1, síndrome de Li-Fraumeni e síndrome de Turcot
  • Histórico familiar — pequena parcela dos casos tem componente hereditário identificável
  • Mutações genéticas específicas — como a mutação IDH1/IDH2, que define subtipos de glioma com comportamento e prognóstico distintos

A maioria dos gliomas surge sem nenhum fator de risco identificável. Por isso, os sintomas são o sinal de alerta mais importante.

Sintomas de Glioma: Quando Procurar Ajuda Imediatamente

Os sintomas variam conforme a localização do tumor no cérebro, seu tamanho e velocidade de crescimento. Gliomas de baixo grau podem crescer silenciosamente por anos; gliomas de alto grau tendem a produzir sintomas em semanas.

Sintomas gerais – pressão intracraniana aumentada
  • Dor de cabeça progressiva — frequentemente pior pela manhã, ao se levantar, ou ao tossir e espirrar
  • Náusea e vômitos sem causa gastrointestinal aparente
  • Sonolência excessiva e dificuldade de concentração
  • Alterações de personalidade ou comportamento — irritabilidade, apatia, desinibição, mudanças que a família percebe antes do próprio paciente

 

Sintomas focais – dependem de onde o tumor está
  • Convulsões em adulto sem histórico — é o sintoma de estreia mais comum nos gliomas de baixo grau
  • Fraqueza ou dormência progressiva em um lado do corpo
  • Dificuldade para falar, encontrar palavras ou entender — tumor em área de linguagem
  • Alterações de visão — visão dupla, perda de campo visual
  • Dificuldade de equilíbrio e coordenação — tumor em cerebelo ou tronco encefálico
  • Alterações de memória — especialmente em tumores de lobo temporal

Qualquer sintoma neurológico novo, progressivo ou inexplicável merece investigação imediata. No glioblastoma, semanas fazem diferença. Não espere os sintomas piorarem para buscar avaliação.

Como o Glioma É Diagnosticado?

O diagnóstico do glioma envolve imagem, cirurgia e análise molecular — e cada etapa é essencial para definir o tratamento correto.

Ressonância magnética com contraste: É o exame principal. Permite visualizar o tumor, avaliar seu tamanho, localização, grau de invasão e relação com áreas eloquentes do cérebro. O glioblastoma tem uma aparência característica na RM — com captação periférica de contraste em “anel” e área central de necrose. Gliomas de baixo grau geralmente não captam contraste.

Ressonância funcional (fMRI) e tractografia: Em tumores próximos a áreas de linguagem, motricidade ou visão, esses exames mapeiam as funções cerebrais e as conexões entre regiões, orientando o neurocirurgião sobre os limites seguros da ressecção.

Biópsia e análise anatomopatológica: O diagnóstico definitivo só é confirmado com análise do tecido tumoral. Isso é feito durante a cirurgia de ressecção ou, quando a ressecção não é possível, por biópsia estereotáxica — um procedimento minimamente invasivo guiado por neuronavegação.

Perfil molecular: Além do grau histológico, a classificação atual dos gliomas inclui marcadores moleculares — especialmente mutação IDH, co-deleção 1p/19q e metilação do promotor MGMT. Esses marcadores definem o subtipo exato do tumor, influenciam o prognóstico e orientam a escolha de quimioterapia e outras terapias-alvo.

Quais São os Tratamentos para Glioma e Glioblastoma?

O tratamento do glioma é multidisciplinar — envolve neurocirurgia, oncologia, radioterapia e, cada vez mais, medicina molecular. O Dr. Sérgio Tadeu lidera a etapa cirúrgica e coordena o cuidado com a equipe multidisciplinar necessária para cada caso.

Cirurgia de Ressecção, O Primeiro e Mais Importante Passo

A cirurgia é a base do tratamento em praticamente todos os gliomas operáveis. O objetivo é remover o máximo possível do tumor — chamado de ressecção máxima segura — sem comprometer funções neurológicas críticas.

Estudos mostram de forma consistente: quanto maior a extensão da ressecção, melhor o prognóstico. Uma ressecção ampla reduz a massa tumoral, alivia a pressão intracraniana, melhora os sintomas e aumenta a eficácia dos tratamentos complementares que vêm a seguir.

Recursos utilizados pelo Dr. Sérgio Tadeu no planejamento e execução:

  • Neuronavegação — sistema de GPS cirúrgico que mapeia o tumor em tempo real durante a operação
  • Ultrassom intraoperatório — permite visualizar o tumor diretamente durante a cirurgia
  • Cirurgia com paciente acordado (awake craniotomy) — em tumores próximos a áreas de linguagem ou motricidade, o paciente é mantido consciente e responsivo durante parte do procedimento, permitindo que o cirurgião teste as funções neurológicas em tempo real enquanto resseca o tumor
  • 5-ALA (fluoresceína tumoral) — substância que faz as células tumorais “brilharem” sob luz específica, aumentando a precisão da ressecção
Radioterapia

Após a cirurgia, a radioterapia é indicada na maioria dos gliomas de alto grau. Foca a radiação no leito tumoral e na região ao redor, onde células infiltrativas podem ter permanecido. No glioblastoma, o protocolo padrão combina radioterapia com quimioterapia simultânea — o chamado protocolo de Stupp.

Quimioterapia

A temozolomida é o quimioterápico padrão no tratamento do glioblastoma, usada tanto de forma concomitante à radioterapia quanto na fase de manutenção. Pacientes cujo tumor apresenta metilação do promotor MGMT têm maior sensibilidade à temozolomida e melhor resposta ao tratamento.

Terapias-Alvo e Imunoterapia

A pesquisa em glioblastoma avança rapidamente. Terapias como bevacizumabe, campos elétricos tumorais (TTFields — dispositivo portátil que interfere na divisão das células tumorais) e ensaios clínicos com imunoterapia ampliam as opções disponíveis para casos recorrentes ou refratários. O Dr. Sérgio Tadeu orienta sobre as alternativas mais atuais disponíveis para cada perfil molecular.

Gliomas de Baixo Grau, Quando Operar e Quando Observar

Gliomas de grau II em pacientes jovens e assintomáticos podem, em alguns casos selecionados, ser acompanhados com ressonâncias periódicas antes de uma decisão cirúrgica. Mas a tendência atual da literatura é de intervenção precoce — especialmente quando a ressecção pode ser feita com baixo risco — porque o tratamento antes da progressão para alto grau oferece melhores resultados a longo prazo.

Por Que Escolher o Dr. Sérgio Tadeu?

Médico neurocirurgião formado pela FAMEMA, com residência em Neurocirurgia pela Beneficência Portuguesa de São Paulo, fellowship e estágios em centros de referência nos Estados Unidos e Europa. Sua atuação é voltada ao diagnóstico preciso, ao tratamento baseado em evidência e ao acompanhamento individualizado de cada paciente.

Dr. Sérgio acredita que uma boa cirurgia começa muito antes da sala de operação: na escuta atenta, na investigação criteriosa e na escolha do tratamento que de fato vai mudar a vida do paciente, inclusive quando a melhor decisão é não operar.

CRM-SP: 105.138 / RQE: 28.065

Recebeu o Diagnóstico de Glioma? O Tempo É o Fator Mais Crítico.

No glioblastoma, a literatura é clara: o intervalo entre o diagnóstico e o início do tratamento cirúrgico impacta diretamente o prognóstico. Cada semana de espera é uma semana em que o tumor cresce.

Nos gliomas de baixo grau, o tempo também importa — não da mesma forma urgente, mas a decisão sobre quando e como tratar precisa ser tomada com cuidado e com base em evidências, não adiada indefinidamente.

Se você acabou de receber esse diagnóstico, está buscando uma segunda opinião ou quer entender melhor o que os seus exames mostram, o Dr. Sérgio Tadeu está disponível para te orientar.

Ao entrar em contato, você terá:

✔ Avaliação detalhada do seu caso por um neurocirurgião especializado em tumores cerebrais

✔ Análise dos seus exames de imagem e do perfil molecular do tumor

✔ Plano cirúrgico individualizado com foco em ressecção máxima e preservação de função

* As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a avaliação médica individualizada.