O DBS é realizado em etapas e, na maioria dos casos, com o paciente acordado durante a fase de implantação dos eletrodos — o que pode soar assustador, mas tem uma razão técnica fundamental.
Etapa 1 – Implantação dos eletrodos (paciente acordado)
Com o paciente confortavelmente posicionado e com anestesia local no couro cabeludo, um frame estereotáxico é fixado à cabeça para guiar os eletrodos com precisão milimétrica. Através de um pequeno orifício no crânio, os eletrodos são introduzidos até o alvo definido no planejamento.
Durante a introdução, a equipe realiza registros eletrofisiológicos — o neurocirurgião “ouve” a atividade dos neurônios para confirmar que está no alvo correto. Em seguida, são feitos testes de estimulação em tempo real: o paciente é avaliado enquanto o eletrodo é ativado, verificando a redução dos sintomas e a ausência de efeitos colaterais.
Manter o paciente acordado nessa fase não é crueldade — é precisão. Permite confirmar o posicionamento ideal do eletrodo de forma que nenhum exame de imagem consegue substituir.
Etapa 2 – Implantação do gerador (paciente sob anestesia geral)
Em um segundo tempo cirúrgico, o gerador de pulsos é implantado sob a pele, abaixo da clavícula ou no abdômen, e conectado aos eletrodos por extensões passadas sob a pele. O procedimento é semelhante ao implante de um marcapasso cardíaco.
Etapa 3 – Programação e ajuste
Após a cicatrização, o gerador é ligado e programado externamente — sem nenhum procedimento invasivo. Os parâmetros de estimulação (frequência, amplitude, largura de pulso) são ajustados de forma individualizada para cada paciente, buscando o equilíbrio ideal entre controle dos sintomas e ausência de efeitos colaterais.
Essa fase de programação é contínua: ao longo do tempo, os parâmetros podem ser reajustados conforme a evolução do paciente.