A neuralgia do trigêmeo tem tratamento — e as opções vão desde medicamentos até cirurgia com altíssima taxa de sucesso. O Dr. Sérgio Tadeu oferece as duas principais abordagens cirúrgicas e define a conduta ideal para cada caso.
Tratamento Medicamentoso, O Primeiro Passo
O tratamento começa com medicação. A carbamazepina é o fármaco de primeira escolha — um anticonvulsivante que reduz a excitabilidade do nervo e diminui a frequência e intensidade das crises. Outros medicamentos como oxcarbazepina, gabapentina e baclofeno também são utilizados.
O problema: com o tempo, muitos pacientes desenvolvem tolerância ao medicamento, precisam de doses cada vez maiores para o mesmo efeito e passam a conviver com efeitos colaterais significativos — tontura, sonolência, alterações de memória e comprometimento hepático. Quando o medicamento deixa de controlar a dor de forma satisfatória, o tratamento cirúrgico passa a ser a melhor opção.
Descompressão Microvascular, O Tratamento Cirúrgico Definitivo
A descompressão microvascular — também conhecida como cirurgia de Jannetta, em homenagem ao neurocirurgião que a desenvolveu — é considerada o tratamento mais eficaz e duradouro para a neuralgia do trigêmeo clássica por compressão vascular.
O procedimento consiste em uma pequena abertura no crânio na região atrás da orelha (fossa posterior), acesso ao nervo trigêmeo e interposição de um pequeno pedaço de material entre o vaso sanguíneo e o nervo — eliminando a compressão que causa as crises.
Resultados:
- Alívio completo ou significativo da dor em mais de 85% dos pacientes
- Efeito duradouro — a maioria dos pacientes permanece sem dor por muitos anos
- Preserva a sensibilidade normal do rosto, ao contrário de outras técnicas ablativas
É indicada especialmente para pacientes com boa condição clínica, compressão vascular confirmada na ressonância e dor refratária ao tratamento medicamentoso.
Rizotomia Percutânea, Alternativa Minimamente Invasiva
Para pacientes que não são candidatos à cirurgia aberta — por idade avançada, comorbidades ou preferência — a rizotomia percutânea é uma opção eficaz. O procedimento é realizado por via percutânea (através da pele), sem abertura do crânio, com agulha guiada por fluoroscopia até o gânglio trigeminal.
Existem três técnicas:
- Termocoagulação por radiofrequência — usa calor para lesar seletivamente as fibras de dor do nervo
- Compressão por balão — um pequeno balão é inflado para comprimir o gânglio
- Glicerol — injeção de glicerol no gânglio trigeminal
Todas oferecem alívio rápido da dor. A desvantagem em relação à descompressão microvascular é que o efeito tende a diminuir com o tempo e pode haver algum grau de dormência no rosto após o procedimento.
Radiocirurgia Estereotáxica (Gamma Knife)
A radiocirurgia foca feixes de radiação com alta precisão na raiz do nervo trigêmeo, causando uma lesão controlada que interrompe a transmissão da dor. É uma opção não invasiva, indicada para pacientes que não podem ou não querem se submeter a cirurgia.
O alívio não é imediato — pode levar semanas a meses para o efeito aparecer — e a taxa de controle da dor é menor do que na descompressão microvascular. Mas para determinados perfis de pacientes, é a alternativa mais adequada.
A escolha entre as opções depende da idade, condição clínica, presença de compressão vascular confirmada e histórico de tratamentos anteriores. O Dr. Sérgio Tadeu avalia cada caso com cuidado e explica, de forma clara, qual caminho oferece a melhor relação entre eficácia e segurança para você.